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29 de abril de 2013

A Carga da Deusa


Ouçam as palavras da Grande Mãe, que, em tempos idos, era chamada de Ártemis, Astartéia, Dione, Melusiana, Afrodite, Ceridwen, Diana, Arionrhod, Brígida e por muitos outros nomes: 

Quando necessitar de alguma coisa, uma vez no mês, e é melhor que seja quando a lua estiver cheia, deverá reunir-se em algum local secreto e adorar o meu espírito que é a rainha de todos os sábios. 
Você estará livre da escravidão e, como um sinal de sua liberdade, apresentar-se-á nu em seus ritos. 
Cante, festeje, dance, faça música e amor, todos em minha presença, pois meu é o êxtase do espírito e minha também é a alegria sobre a terra. 
Pois minha lei é a do amor para todos os seres. 
Meu é o segredo que abre a porta da juventude e minha é a taça do vinho da vida, que é o caldeirão de Ceridwen, que é o gral sagrado da imortalidade. 
Eu concedo a sabedoria do espírito eterno e, além da morte, dou a paz e a liberdade e o reencontro com aqueles que se foram antes. 
Nem tampouco exijo algum tipo de sacrifício, pois saiba, eu sou a mãe de todas as coisas e meu amor é derramado sobre a terra. 

Atente para as palavras da Deusa estelar, o pó de cujos pés abrigam-se o sol, a lua, as estrelas, os anjos, e cujo corpo envolve o universo: 

Eu que sou a beleza da terra verde e da lua branca entre as estrela e os mistérios da água, invoco seu espírito para que desperte e venha até a mim. 
Pois eu sou o espírito da natureza que dá vida ao universo. 
De mim todas as coisas vêm e pra mim todas devem retornar. 
Que a adoração a mim esteja no coração que rejubila, pois, saiba, todos os atos de amor e prazer são meus rituais. 
Que haja dentro de você, beleza e força, poder e compaixão, honra e humildade, júbilo e reverência. 
E você que busca conhecer-me, saiba que sua procura e ânsia serão em vão, a menos que você conheça os mistérios: 
Pois se aquilo que busca não se encontrar dentro de você, nunca o achará fora de si. 
Saiba, pois, eu estou com você desde o início dos tempos, e eu sou aquela que é alcançada ao fim do desejo.

28 de abril de 2013

As faces menos conhecidas da Deusa



O aspecto menos compreendido da Grande Mãe - e, por isso, o mais temido - é a Deusa Negra, a Face Ceifadora.

Assim como a Donzela, a Mãe e a Anciã regem etapas do eterno ciclo da vida - do nascimento (plantio), amadurecimento (florescimento e frutificação) e do inevitável declínio, a Deusa Negra encerra o ciclo e representa a decomposição e a morte.

Como Ceifadora, ela é a destruidora de tudo que esgotou seu tempo, de tudo que cumpriu sua finalidade e não serve mais. É ela quem limpa a terra após a colheita para o repouso necessário à germinação de novas sementes. Seu poder é da Lua Negra, dos mistérios ocultos na escuridão, do vazio e do silêncio que antecedem o surgimento da luz, o raiar do dia e o começo de um novo ciclo. Ela ensina que sem morte não há renascimento, sem fim não pode haver um novo começo, sem dissolução do velho não há a renovação.

Como mestra da escuridão, ela orienta e conduz ao encontro da “sombra”, o aspecto perturbador e renegado do próprio ser. Se você pedir sua ajuda e tiver a coragem de mergulhar nas profundezas de seu mundo interior para descobrir, encarar, reconhecer e aceitar sua sombra, você encontrará sua autêntica identidade, livre das máscaras da personalidade. Confrontar, contemplar e assimilar o poder da sombra representam a verdadeira iniciação nos mistérios da Deusa Escura e da Lua Negra, iniciação que exige, como preço, mudanças, transformações e novos rumos. "Abraçar a sombra" significa aceitar-se assim como você realmente é - mescla de dor e alegria, medo e coragem, conquistas e perdas, sucessos e fracassos, acertos e erros, luz e sombra. Somente assim encontrará seu verdadeiro e completo poder de mulher e a integração de sua totalidade.

São manifestações da Deusa Negra: Hécate, Kali, Baba Yaga, Lilith, Cailleach, Morrigan, Hel, Ran, Sekhmet, Ereshkigal, Coatlicue.

Outro aspecto que foge da costumeira manifestação da Deusa Tríplice, relacionada à lua crescente, cheia e minguante, é a Rainha, conhecida como a Imperatriz e as rainhas dos naipes do Tarot.

Esta face da Deusa corresponde à fase da lua balsâmica, entre a lua minguante e a negra. Ela rege a maturidade, entre os 40 e os 50 ou mais anos, da mulher que ultrapassou ou negou a fase da maternidade, que está no auge e plenitude de sua expressão, afirmação e realização, mas que ainda não atingiu a sabedoria da Anciã.

Nessa fase, chamada de pré-climatério, ocorrem mudanças no corpo físico, a mente torna-se inquieta, os pensamentos são voláteis e tumultuados, a percepção é aguçada, a sensibilidade exacerbada, as emoções em conflito. É um período de inquietação e aparentes contradições, de mudanças de gostos e atitudes, de busca de “algo” vago ou indefinido no campo espiritual, profissional ou afetivo. Surgem temores em relação ao futuro, o medo do desconhecido, a preocupação com o envelhecimento, ainda mais em uma sociedade que enaltece o valor e o viço da juventude.

Dependerá da mulher passar por esta fase com dor ou com a alegria de quem já venceu batalhas, cumpriu deveres, plantou e colheu e está se aproximando de um tempo de paz e realização interior, com a segurança da experiência e as promessas de futura sabedoria.

Abençoar esta fase, rever o passado e transmutar os resíduos com o auxílio da Deusa Negra, agradecer à Donzela e à Mãe pelo plantio e a colheita, são medidas recomendáveis que abrem as portas para a Grande Mudança, quando seu sangue não mais será vertido, mas retido em seu ventre, e quando o tempo assinalará sua coroação - não mais como Rainha, mas como uma Sábia Mulher Coroada, herdeira das Matriarcas e das Mães de Clã do passado ancestral.

As Faces da Deusa



Em muitas partes do mundo, a Deusa é referida como a Grande Deusa Lua, uma deidade trina e una, a Donzela, a Mãe e a Anciã.

Ela é retratada em três faces, assim refletida na Lua, neste caso, nós seguidores da Antiga Religião e alguns estudiosos, acreditamos que o mesmo poder e mistério agem nas mulheres assim como na Lua, e também se refletem na natureza.

Os sortilégios e rituais são sempre realizados em conjunção com as faces da Lua, e as Bruxas alinham seus trabalhos mágicos com os seus próprios ciclos menstruais. Pela observação das três faces lunares e a meditação sobre as tradições da Deusa a elas associadas, descobrimos os poderes e mistérios especiais da Lua e a sabedoria impar que ela nos ensina acerca da Mãe Divina do Universo.


A Donzela 


Como Donzela, ressalta o seu aspecto virginal (não pelo fato de nunca ter se relacionado sexualmente com um homem, mas sim o fato de ser solteira, independente e livre, não se submetendo ao julgo de homem algum). 

A cada dia da lua crescente, a Donzela floresce, a força da juventude fica cada vez maior, sendo Ela vista muitas vezes como sendo delicada e gentil, ou uma criança brincando, mostrando assim sua inocência. 

Mas é também vista como uma Caçadora que pode ser agressiva, pois desafia a tudo e a todos para garantir a sua liberdade. 

Comumente representada pela cor branca que simboliza os inícios, tudo o que vai crescer, o auge da juventude, as sementes que começam a brotar. É a dona do amor livre ou puramente amor sexual, é a criatividade, a inocência de nossa personalidade, plena alegria de viver. 

A Donzela é a Primavera, a Lua Crescente, tudo o que começa e está crescendo. É a plena beleza e independência; Celebramos essa face da Deusa em Ostara, Beltane e Litha (HS), quando ela está no auge de sua beleza e feminilidade. 

Perséfone, Ishtar, Afrodite, Atena, Héstia, Kuan-Yin e Amaterasu são outros exemplos de Deusas Donzelas de diversos panteões. 


A Mãe 

A Mãe foi a primeira face da Deusa a ser cultuada pelos povos antigos, pois ainda não tinham a noção de concepção após o coito, assim, associavam a vida a uma Grande Mãe, mantenedora e protetora. 

Enquanto o Sol é a representação do Deus (antes do patriarcado sobrepujar o matriarcado, era um dos símbolos da Deusa Mãe, já que Ela é a Criadora de tudo e está contida em tudo), a face da Mãe é representada pela Lua Cheia, pela estação do Verão e pela fertilidade da Terra. 

A face Mãe da Deusa é vista como as nossas mães, é protetora, carinhosa, nos alimenta e nos ensina, mas também pode ser aquela que briga e ensina principalmente as lições que talvez não nos agrade aprender. 

A cor da Mãe é a vermelha, bem como os mares, lagos e rios simbolizam o útero da Mãe. 

Hera, Gaia, Danu, Deméter, Isis, Brigit, Nut são exemplos de Deusas Mães de vários panteões. 

A Anciã 
A Anciã é a Conhecedora dos Mistérios, muitas vezes é temida, pois Ela também é a Senhora da Morte, fato que traz muitos medos, e a interpretação errônea desse seu aspecto, visgo que os conhecedores de seus mistérios sabem que a Morte é necessária para que haja a Vida. 

Ela é a Rainha do Submundo, a Sombra e a sabedoria que vem com as experiências. A Anciã é a própria tríplice, pois ela já passou por Donzela e Mãe, e carrega memórias dessas passagens, sendo então aquela que pode nos guiar pelas nossas próprias dificuldades. 

A Anciã também tem o aspecto de Deusa Negra, que é o aspecto sombrio da Deusa, a Morte, a Sombra e aquela que nos ensina a lidar com nossa Sombra e que nos coloca de encontro com nossos medos. 

Ela é a Lua Minguante, sua cor é o preto. 

Hécate, Ceridwen, Morrigan, Kali são exemplos de Deusas Anciãs.